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Chico de Janes: O Hoteleiro

Escrito por  Sábado, 14 Fevereiro 2015 10:03

Muitos conhecem o Chico de Janes carnavalesco, no entanto, poucos, na verdade, conhecem o Chico de Janes hoteleiro. Ele exercia essa atividade por muitos anos e hospedava gente que vinha de todos os recantos do Brasil para o Aracati.

 

 

A grande atração do seu hotel – Hotel Central – por estar localizado na parte mais central da cidade, a Rua Grande - era o “Bar Amansa Sogra.” As paredes do recinto, eram decoradas com alegorias que Chico de Janes espalhava por vários ambientes contendo cartazes e dizeres sobre as sogras.

 

Num dos recantos do bar havia um velho gramofone que ele tinha comprado, como ele mesmo dizia, no tempo do bumba, chamado de “A Voz das Sogras” cujo som os genros ouviam.

 

A pele estendida de uma enorme cobra jiboia esticada numa parede era denominada de “Couro de Sogra”. A velha carcaça de uma cabeça de onça com a bocarra escancarada foi apelidada de “Boca de Sogra.”

 

Noutro espaço do Bar havia mais dois anúncios referentes às “qualidades” das sogras. Em um dos letreiros estava a serra de um espadarte com os seguintes dizeres estampados em letras graúdas: “Língua de Sogra”; e noutro: “Calmante de Sogra”. Este último consistia num chicote de couro cru com três pernas e mais uma porção de catrevagens que ajudava, segundo ele, a acalmar as sogras impertinentes.

 

Quanto ao cardápio, para bem atender ao paladar dos hóspedes mais exigentes, mantinha no quintal do hotel, sempre preso, um enorme urubu. Dizia ele que era para misturar com galinha quando o consumo do galináceo estivesse alto.

 

Numa reportagem para um jornal da capital, Chico de Janes contou que certa vez, no seu hotel, um viajante de São Paulo que era um verdadeiro glutão se hospedou. A mulher do hóspede reclamou que a sopa servida era pouca. Para atender à mulher foi então Chico de Janes ao muro onde proliferava uma mata de melão caetano. Apanhou um punhado de melão caetano, esmagou com cuidado e ofereceu ao hóspede dizendo ser jerimum da terra. O gordo ingeriu o prato todo, mas a noite não deixou Chico de Janes dar um cochilo sequer. Uma dor de barriga violenta surpreendeu o viajante que andava no rastro da morte. Mandou chamar o delegado para prender o dono da pensão que o envenenara. Mas não teve muita sorte porque o Chico de Janes, à época, era o próprio delegado e, Chico de Janes, como todo o Aracati sabe, como delegado nunca prendeu ninguém.

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Lido 733 vezes Última modificação em Sábado, 14 Fevereiro 2015 10:11
Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nascido no Aracati em 30 de novembro de 1946, foi o terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva. Viveu sua infância em Icapui onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta. Em 1957, ingressou no Grupo Escolar Barão de Aracati. Em 1974, casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e deste matrimônio nasceram os filhos Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira.

 

Em 1976 graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN. Atuou à frente do Instituto do Museu Jaguaribano como presidente, função que exerceu em duas diretorias (1976 1979/1982-1985). Foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996) período em que assumiu a pasta da Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.

 

A história e a memória da cidade e do povo aracatiense constituem objetos de seus estudos amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local em que colabora desde 1975. Em 2005 a crônica "O Amor do Palhaço", de sua autoria, foi adaptada para o cinema em um curta metragem (15") homônimo com direção de Armando Praça Neto,

 

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)

Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)

Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009) 

A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)

Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)

Aracati era assim (Inédito)

Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

 

1 Comentário

  • Link do comentário jose nilton fernandes Quarta, 18 Fevereiro 2015 16:14 postado por jose nilton fernandes

    Tive o prazer de conhecer suas principais obras, feitas em estilo inconfundível de quem conhece a história aracatiense. É um museu andante..

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