O Coronel Rodolfo morava no pé da serra, no município de Jaguaruana e, precisando de água para saciar a sede dos humanos e dos animais, contratou um cavador de poço, um homem que dizia encontrar água em qualquer terreno, em qualquer circunstância: um radioestesista.

Na véspera da chegada do “homem água”, aquele que iria matar a sede, o Coronel Rodolfo mandou matar um bode e ordenou ao capataz que salgasse, com mão pesada, a carne do animal e depois a colocasse no sol para secar.

Na noite da chegada do homem que se prontificava a acabar com o problema da sequidão na fazenda, foi oferecido, num jantar, como iguaria, o bode salgado. Sal puro podia se chamar o prato principal daquela noite.

Enquanto o “homem água” prosava no alpendre da casa da fazenda, o Coronel Rodolfo mandava esvaziar tudo que era pote ou depósito que contivesse água dentro de casa, menos uma quartinha, que mandou colocar embaixo da rede do homem assim que ele adormecesse.

Na manhã seguinte, nem bem o sol tinha nascido, o Coronel encontrou o “homem água” em pé no terreiro da casa, como se procurasse algo ao redor. Ao ver o Coronel que o observava, falou:

— Coronel, desde a madrugada que procuro água pra beber e não encontro. Aquele bode salgado me pegou!

O Coronel, olhando desconfiado para o homem, arremata:

— Me admira muito que o senhor, que diz que encontra água embaixo do chão num mundão desses de terra, não tenha encontrado a quartinha d’água debaixo de sua rede!

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Fonte: Pereira Filho, Antero. Assim me contaram. – Fortaleza: 2015. p. 12-13.