Contam que o poeta aracatiense Paula Nei saiu certa noite para conversar com Olavo Bilac e Emílio de Meneses.

Entre versos, histórias e copos, os três discutiram assuntos da maior importância, como acontece em toda mesa de poetas depois da meia-noite. Resolveram problemas do Brasil, da literatura e, possivelmente, da humanidade inteira. Só esqueceram de anotar as soluções.

Quando a madrugada avançou, Bilac e Emílio se levantaram. Tinham obrigações no dia seguinte. Paula Nei também devia ter alguma, mas preferiu permanecer no bar.

Despediu-se dos amigos e permaneceu à mesa. Talvez esperasse o amanhecer para lhe dar boa-noite. Talvez quisesse apenas terminar uma frase. Com Paula Nei, uma frase podia ocupar o resto da madrugada.

Na manhã seguinte, Bilac passava pela rua a caminho do trabalho quando olhou para dentro do bar. Lá estava o Paula Nei, sentado no mesmo lugar, com a tranquilidade de quem não havia perdido a hora porque, para ele, a noite ainda não havia acabado.

Bilac parou à porta, espantado:

— Paula Nei, já?

O poeta aracatiense ergueu os olhos e respondeu:

— Não, ainda!

Em duas palavras, esclareceu tudo. Bilac pensava que ele já tinha voltado. Paula Nei explicou que ainda não havia saído.

Não sabemos se a cena ocorreu exatamente assim. A anedota atravessou o tempo, e o nome do bar se perdeu pelo caminho. Mas a resposta continua de pé. Afinal, sair para quê, se a conversa ainda estava boa?