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Thursday, 07 May 2026 17:45

ENTRE SILÊNCIOS E REENCONTROS: A POESIA DE ARNALDO LIMA

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Arnaldo Lima (Detalhe) Arnaldo Lima (Detalhe) Acervo pessoal.

Conversar com Arnaldo Lima é perceber que sua poesia nasce de vivências simples, mas decisivas: a leitura em família, o incentivo de um movimento literário, o silêncio necessário para amadurecer. Prestes a publicar Poesias perdidas na gaveta, ele revisita etapas de sua trajetória artística com honestidade e serenidade. Esta entrevista apresenta um poeta que transita entre diferentes linguagens, mas mantém na palavra o seu ponto de retorno. É um convite para acompanhar o reencontro de um poeta consigo mesmo.

MARCIANO PONCIANO — Quando nasce um poeta?

ARNALDO LIMA — A poesia chegou na minha vida ouvindo minha mãe ler os folhetos de cordel que o meu Pai Véi (avô paterno) comprava na feira. Achei-me poeta quando li o livro Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. Mas nasci, de fato, no movimento poético Poetossíntese[1].

 

MP — O que cabe na poesia de Arnaldo Lima?

AL — Sentimentos vários, fantasias, desabafos e devaneios...!

 

MP — Qual espanto suscitam as poesias perdidas na gaveta quando são lidas?

AL — Emoção. Reencontro comigo mesmo. Sonho realizado. Aos leitores, creio que causarão conforto, curiosidade, indagações.

 

MP — Entre os poemas selecionados para compor a obra Poesias perdidas na gaveta, encontram-se textos escritos nos anos 1990, alguns publicados no jornal Poetossíntese. Qual a sua relação com esse movimento?

AL — O Poetossíntese foi um movimento poético que abriu portas para muitos poetas aracatienses. Tive a honra de ser colaborador, o que me fez acreditar que os meus escritos eram poesia.

 

MP — Mas, afinal, por onde andou a poesia que nasceu da pena do poeta Arnaldo Lima?

AL — Ela escondeu-se com medo de não ser aceita. Amadureceu, tomou forma, reflexão e, acima de tudo, coragem para reaparecer com o desejo de ser vista e analisada.

 

MP — Nos trabalhos que compõem a obra Poesias perdidas na gaveta habitam olhares e percepções sob duas paisagens simbólicas: o mundo físico e o metafísico do poeta. Nessas geografias, por vezes distintas e por vezes complementares, quais caminhos ou descaminhos são apresentados ao leitor?

AL — Minha pretensão é deixar o leitor criar seu próprio entendimento dentro das figuras, enigmas e segundas intenções de cada verso.

 

MP — Você é membro da Academia de Letras do Litoral Leste Cearense (ALLILC). Como essa instituição tem atuado para a promoção da literatura?

AL — A ALLILC tem sido uma vitrine para os escritores da região. Atua maravilhosamente na valorização do artista, do anônimo. Seu maior propósito é fortalecer os movimentos literários, buscando união entre as classes artísticas e literárias.

 

MP — Além de poeta, você é ator, cineasta e roteirista. Quais as vantagens e desvantagens de trabalhar em tantas frentes?

AL — Pois é... fiz uma coisa de cada vez e por pouco tempo. Sou temporário ou panfletário. Sinto-me uma árvore que dá frutos na estação e no tempo certo. Trabalhei anos atuando, criando e dirigindo teatro. Guardei na gaveta. Iniciei uma temporada em roteiros, criação, direção e atuação de vídeos (curta-metragem). Guardei-me. Hoje abri uma gaveta: a da poesia, que fechara na época do teatro. E o amanhã... está por vir. Quando iniciei no teatro, já trazia o cinema dentro de mim. Desde criança frequentava o Cine Moderno assiduamente. Tinha até meu lugar certo no saguão, onde expunha minhas revistas (gibis) para troca, empréstimo e venda. E me escondi sempre numa frase de Glauber Rocha: “Sou um artista. Não me exija coerência”. Mas, hoje, percebo que fiz uma interpretação errônea dessa frase célebre.

 

MP — Qual a dimensão do inexplicável na vida do poeta Arnaldo Lima?

AL — A distância de um grito num lugar ermo. A resposta não chega perfeita. Só ressoa.

 

SERVIÇO


POESIAS PERDIDAS NA GAVETA
(Arnaldo Lima)
Paschoal Editora.
Pedidos diretamente com o autor.
Whatsapp: (88) 99670-8124 E-mail: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

 


Entrevista concedida por Arnaldo Lima a Marciano Ponciano em 04 de maio de 2026.

 

[1] Movimento Poético Alternativo aracatiense surgido em 1990 que se notabilizou com a publicação do Jornal Poetossíntese.

Read 271 times Last modified on Friday, 15 May 2026 08:58
Marciano Ponciano

MARCIANO PONCIANO- Sou natural de Aracati-Ce, terra onde os bons ventos sopram. Na academia da vida constitui-me poeta, realizador de sonhos, encenador de máscaras. Na academia dos saberes acumulados titulei-me professor de Língua Portuguesa e especializei-me em Arte-Educação. O projeto de vida é semear a arte por onde passe: teatro, poesia, artes plásticas- frutos da experiência acumulada em anos dedicados a ser feliz. Quando me perguntam quem sou - ator, poeta, encenador, artista plástico, educador? Afirmo: - Sou poeta!

Publicou:

Poetossíntese. Coletânea de poemas. Ed. própria. Aracati-CE. 1996.

Caderno de Literatura Poetossíntese. Coletânea de poemas. Ed. Terra Aracatiense. Aracati-CE. 2006.

aracaty. Cadernos de Teatro. Ed. Terra Aracatiense. Aracati-CE. 2010.

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