
O sobrado, que anteriormente pertenceu a José Pereira da Graça[5], personagem das lutas políticas de Aracati, está implantado em lote urbano tradicional, de esquina, e tem quatro pavimentos. O primeiro piso atendia anteriormente às atividades comerciais. Os demais níveis tinham uso residencial. O último corresponde ao sótão, com abertura nas duas empenas laterais. Um bloco mais baixo, ligado ao sobrado na parte posterior, abriga as dependências de serviço.
A fachada principal é revestida por azulejos portugueses estampilhados, apresentando aberturas com balcão corrido no segundo piso e balcões individuais no terceiro, com vergas em arco pleno. É marcada ainda por dois cunhais nas extremidades e cimalha sob a platibanda, a qual é encimada por pinhais de louça.
Na fachada lateral direita, as aberturas marcam as empenas com duas portas no pavimento térreo, mais seis janelas em cada um dos pavimentos superiores, além das aberturas do sótão, todas elas com moldura em alvenaria pintada de branco.

A construção foi executada em alvenaria autoportante. No interior, o piso é de tijoleira, no térreo, e em tabuado de madeira, nos demais pavimentos. O forro dos pisos intermediários é também em madeira, tipo saia-e-camisa.
Pinturas originais são vistas sob as diversas camadas de tinta existentes em alguns ambientes. Merecem destaque as escadas de madeira que dão acesso aos pavimentos altos, especialmente aquela helicoidal, que liga o segundo ao terceiro pavimento, com requintado trabalho em madeira no corrimão. No sótão, bastante amplo, a coberta é aparente, com estrutura em carnaúba e telhas de barro tipo capa/canal.
O edifício serviu de sede ao SESI (Serviço Social da Indústria) e em 1980 passou a abrigar o Museu Jaguaribano.
[5] José Pereira da Graça, o Barão de Aracati (Aracati/CE, 1812 - Rio de Janeiro/RJ, 1889), foi magistrado e político. Exerceu o cargo de ministro do Supremo Tribunal de Justiça, órgão máximo do Poder Judiciário no Brasil Império.
[i] Vale destacar a pesquisa realizada pelo memorialista aracatiense Antero Pereira Filho, que evidencia o equívoco presente em grande parte dos textos que descrevem o sobrado — sede do Instituto do Museu Jaguaribano — como antiga residência do Barão de Aracati. Conforme demonstra Pereira Filho, o imóvel foi, na verdade, propriedade de Antonio Cândido Antunes de Oliveira, agraciado com os títulos de Barão e Visconde de Messejana. O texto, com o título “SOBRADO DO BARÃO: DESFAZENDO UM EQUÍVOCO”, encontra-se disponível entre os artigos publicados em www.luacheia.art.br.
TOMBAMENTO ESTADUAL | Decreto nº 16.237, de 30.11.1983, Livro de Tombo Artístico, fls. 13, data: 30/11/1983.
AUTORES | Beatriz Diógenes e Romeu Duarte
FONTE: Guia dos bens tombados do Ceará /[textos/descrições dos bens Beatriz Diógenes e Romeu Duarte]. -- 1. ed. -- Fortaleza, CE : Fundação Waldemar Alcântara - FWA, 2024. p. 44-45