Antes da criação de um clube no Aracati as festas eram realizadas nas residências. As grandes festas comemorativas, principalmente as celebrações oficiais de gala, no entanto, eram realizadas no Paço Municipal, que sempre foi na parte superior da cadeia.

As moças sentavam-se ao redor do salão, formando um grande quadrilátero, à espera de um respeitoso convite para dançar. As mais requisitadas sempre levavam uma ponta de lápis para anotar num papelzinho os nomes dos prometidos para as danças. Era uma forma de evitar aborrecimentos.

Major Bruno, grande dançarino, pé-de-valsa, e sua esposa Izaura, que não gostava de dançar, não faltavam a uma só festa e ele, Major, sabiamente ia convidando para dançar, uma a uma, as moças que estavam à espera de convite. Só parava quando havia dançado com todas. Sua mulher não se aborrecia, por saber o quanto ele gostava de dançar e não mostrava preferência. Dançava com todas!

Êta, bichim inteligente!

Esse mesmo Major Bruno viajava de navio até Fortaleza, por não haver estrada para veículo, somente para animais, por causa do areão frouxo existente. Quando tinha negócios inadiáveis em Fortaleza e o navio ia demorar a chegar, resolvia percorrer a cavalo as 30 léguas de poeira e curvas, passando por Fortim, Beberibe, Cascavel e Aquiraz. Dormia pelo caminho e chegava ao destino quase três dias depois.

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FERNANDES, Leônidas Cavalcante. Aracati: o que pouca gente sabe. Rio-São Paulo - Fortaleza: ABC Editora, 2006. p. 96.