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Monday, 01 June 2026 10:23

CASTORINA PINTO | ROSA SEROTO

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CASTORINA PINTO | ROSA SEROTO Colagem Digital: Marciano Ponciano

Rosa, naquele tempo em que a seca de 1932 varreu o sertão como um vento de desgraça, ainda não fazia a vida remendada que depois teve de aceitar quando chegou a Aracati, empurrada pela fome e pela poeira. Vinha moça, mas já com o olhar cansado de quem aprendera cedo que a terra rachada não dá futuro a ninguém. Tentou de tudo: ajudante em venda, lavadeira de beira de rio seco, carregadora de trouxas alheias. Mas a seca, essa danada, não deixava ninguém firmar pé em canto nenhum. Faltava água, faltava serviço, faltava até esperança. E Rosa, sem estudo e sem padrinho, vivia de arranjos: um dia aqui, dois acolá, sempre com a sensação de que o mundo lhe escapava por entre os dedos.

Com o passar dos anos, já madura e sem os predicativos que a juventude empresta ao corpo, Rosa foi se ajeitando como diarista nas casas de família de Aracati. Era o que lhe restava, e fazia com dignidade. Trazia, porém, uma mania que o povo nunca entendeu direito. Diziam que era por economia, outros por teimosia, mas Rosa mesma sabia que aquilo vinha da seca braba: acostumara-se a viver sem água, a racionar cada pingo como se fosse ouro, e o hábito de não se banhar ficou grudado nela como poeira de estrada. Por isso, com o tempo, ganhou um apelido que a acompanhou até o fim da vida.

Uma novidade foi introduzida no comércio local pela Loja Goiana, localizada na antiga Travessa Cel. Valente, que vendia fazendas, chapéus e miudezas, lançando na praça uma seção de perfumaria, onde o destaque era a essência de um sabonete.

Castorina, que utilizava em sua casa os serviços de Rosa, resolveu comprar esse especial sabonete de que tanto falavam nas rodas de calçadas e que se tornara um presente favorito aos aniversariantes.

— Sr. Luís, esse sabonete limpa melhor do que sabão em barra?

— Além de limpar, Dona Castorina, deixa um cheiro de flor de laranjeira. É para a senhora mesmo ou presente?

— É para teste, seu Luís. Quero ver se esse cheiro de flor de laranjeira convence Rosa Seroto a se lembrar que água ainda existe no mundo. Vai fazer uma serventia lá em casa e quero ela cheirando mais pra jardim do que pra estiagem.

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Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nasceu em Aracati-CE em 30 de novembro de 1946. Terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva, Antero cresceu na Terra dos Bons Ventos, onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta, uma querida amiga da família. Estudou no Grupo Escolar Barão de Aracati até 1957 e, a partir de 1958, no Colégio Marista de Aracati, onde concluiu o Curso Ginasial.
Em 1974, Antero casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e juntos tiveram três filhos: Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira. Graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN em 1976 e desde então tem se destacado em sua carreira profissional.
Antero atuou como presidente do Instituto do Museu Jaguaribano em duas gestões (1976-1979/1982-1985) e foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996), responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.
Além de sua carreira profissional, Antero é conhecido por seus estudos sobre a história e a memória da cidade e do povo aracatiense, amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local desde 1975. Em 2005, sua crônica "O Amor do Palhaço" foi adaptada para o cinema em um curta-metragem (15") com direção de seu filho, Armando Praça Neto.

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)
Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)
Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009)
A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)
Aracati era assim... (2024)
Relíquias de uma campanha (2024)
Aracaty: 1862, cólera-morbo (2025)
Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)
Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

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