Tipo de negro velho, vesgo, usando “cavagnac”, trazendo permanentemente a cabeça cheia de “caminhos de rato”, João Malaçada, ou Mestre João, como nós o chamávamos, era um indivíduo de grande utilidade para a população aracatiense de seu tempo.
Uma certa noite, nossa conhecida Tereza do Arroz — famosa madame de um tradicional lupanar existente na Várzea da Matriz em tempos de antanho — recebeu no seu estabelecimento um cliente muito bem-vestido. O sujeito ostentava um elegante paletó, associando ao traje um chapéu de massa preto a "Lá Waldick Soriano".
Situada no centro de Aracati, à Rua Coronel Alexanzito, junto à Praça da Independência, a Casa de Câmara e Cadeia é uma construção do final do século XVIII, erguida por volta de 1780. Trata-se do prédio mais antigo da cidade e um dos primeiros a serem construídos no Ceará, tendo ali funcionado o Paço Municipal e a Cadeia Pública de Aracati.
A coisa que Rodolfino tinha mais vergonha na vida era dos seus dentes. Perdeu quase todos — por descuido seu e incompetência de alguns dentistas, segundo sua própria avaliação. E, por absoluta necessidade, teve que ir ao dentista naquela semana. Não havia outro jeito. Era inadiável.
Vizinha ao propalado Bar do Joaquim, notório recanto dos infelizes, que se diziam milionários, mas com as prestações atrasadas das caminhonetes importadas estacionadas em fileiras, figura uma pequena mercearia, de propriedade do quixadense Orelha, de parca freguesia de bebuns, mas ponto sagrado do Professor Braga, em todas as manhãs de domingo.
A criação da cidade de Aracati se dá na data de sesmaria adquirida pelo Capitão-Mor Manuel de Abreu Soares, nos primeiros anos do século XVIII. Destaca-se a ocupação, por colonos portugueses, paraibanos e pernambucanos, da foz do rio Jaguaribe, então conhecida por Cruz das Almas, posteriormente chamada São José do Porto dos Barcos, bem como a construção de uma capela de taipa com frente de tijolos e coberta de palha, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, núcleo original da Igreja Matriz. Na mesma linha, a produção e o comércio de carne-seca, estabelecidos antes de 1740 e curiosamente desenvolvidos de forma intensa no interior da vila, ao contrário da tradição urbana portuguesa, que situava fora dos limites das aglomerações, por ser insalubre, o trabalho de salga das carnes e de preparo das couramas.
Aquele sofá — aquele mesmo, com a mola atrevida apontando para o mundo como quem diz “sente aqui pra ver” — estacionado no canto da sala de Nair, era a vergonha de Lurdinha. E vergonha grande, porque a moça namorava Gustavo, um sujeito que respirava futebol, transpirava futebol e que considerava Ronaldinho Gaúcho o melhor jogador de todos os tempos.
Castorina Pinto dizia sempre que tinha duas grandes paixões — já que nunca se casara — uma pelo Aracati e outra pela cidade de Recife, para onde sempre viajava para vender seus labirintos e rendas feitas em Aracati. Repetia, com a convicção de quem fala de coisa séria, que eram cidades de muita água, pois tinham mar e rio. Isso era seu fraco, e ela não escondia.
Já morando em Fortaleza, na rua Nogueira Acioly nº 248, Castorina Pinto mantinha o antigo costume de tirar uma soneca depois do almoço. Era seu ritual diário, quase um mandamento doméstico. Mas sua siesta reparadora era interrompida, sempre à mesma hora da tarde, por um inconveniente vendedor ambulante que, aos gritos, anunciava seus produtos de casa em casa.
O Grupo Lua Cheia, com sede na cidade de Aracati-CE, é um coletivo de artistas formado em 1990 com o objetivo de fomentar, divulgar e pesquisar a arte e a cultura.