Blanchard Girão, importante jornalista cearense, dizia:
Os ‘apelidos’ de Castorina têm o seu valor. São reflexos de uma inteligência superior, de um espírito de fino senso de humor e de extraordinário poder de observação[1].
Numa visita que Menezes Pimentel realizou ao Aracati, nos anos 1940, veio acompanhado do general Mascarenhas de Morais — então comandante da 7ª Região Militar —, do capitão Cordeiro Neto e de outros auxiliares, entre assistentes e o oficial de gabinete. A comitiva foi recebida pelo prefeito Mário Lima, pelo promotor Ubirajara Carneiro e pelas demais autoridades da Terra dos Bons Ventos.
Na ocasião, ofereceu‑se um lauto banquete na residência do Cel. Alexanzito Costa Lima. O serviço à mesa dos ilustres visitantes ficou a cargo de várias senhoritas da elite aracatiense, entre as quais se encontrava Castorina Pinto.
A figura do ex‑interventor não passou despercebida à inquieta e observadora aracatiense. Menezes Pimentel tinha o pescoço atarracado, pele escura — que, à época, era motivo de preconceito racista — e pequena estatura. Era, na verdade, o apelidado “desprovido de beleza”.
Diz o folclore que Castorina, ainda iniciante na arte de apelidar, não quis ser taxativa ao ser indagada quanto às impressões que tivera do ex‑interventor. Pensativa, expressou‑se:
— É, não me sai da cabeça a semelhança desse homem com um “Carretel de Linha Preta”. E não é que ele tem a aparência de um Carretel de Linha Preta!!! Num é não?
[1] GIRÃO, B. Nem todos os apelidos da Castorina, de Aracati, são de sua lavra. Gazeta do Jaguaribe, Aracati, 10 jun 1951, p. 2, 4.