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Wednesday, 06 May 2026 08:36

CASTORINA PINTO | BOCA DE NEBLINA

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SALÃO DO MAISON MODERNE. Aracati-CE SALÃO DO MAISON MODERNE. Aracati-CE Acervo: Antero Pereira Filho | Colagem Digital de Marciano Ponciano

Nas comemorações do centenário da emancipação política de Aracati, no longínquo ano de 1942, a cidade vestiu-se de gala e promoveu diversas festividades para enaltecer essa magna data de nossa história.

Uma solenidade que marcou profundamente esse memorável evento aconteceu no magnífico salão nobre do Maison Moderne, quando da conferência de um ilustre desembargador. Comentava-se à boca pequena — e às vezes à boca escancarada — que o ilustre magistrado se dedicava com mais afinco às letras jurídicas do que aos raros dentes que ainda lhe ornamentavam a arcada, e que, ao discursar, lançava ao auditório uma tão copiosa cerração de saliva que mais lembrava garoa de inverno do que oratória de salão. Fora ele convidado pelo Dr. Eduardo Alves Dias e pelo eminente promotor de Justiça Dr. Ubirajara Carneiro, que, movidos por zelo cívico, julgaram oportuno trazer à magna celebração tão peculiar orador.

A preleção do desembargador, sobre a importância econômica e política do Aracati, foi deveras empolgante e esclarecedora, digna e merecedora de encômios, e aplaudida pelo escol aracatiense.

Castorina Pinto e um seleto cortejo de moças e senhoras, representando o que de mais granfino e elegante a sociedade de Aracati podia ostentar, foram designadas para apresentar as boas-vindas ao brioso causídico.

Na ocasião dos cumprimentos ao insigne orador daquela data tão faustosa, as senhoritas encarregadas das gentilezas protocolares dispuseram-se em alinhadas fileiras diante do visitante, compondo um cortejo de delicadezas que só a fina sociedade aracatiense sabia ostentar.

Angélica Pinto, prima de Castorina, percebendo-lhe a ausência justamente no instante das mesuras oficiais, saiu em sua busca, ansiosa por reconduzi-la ao recinto para os efusivos cumprimentos de praxe.

— Castorina, vem, está na hora das felicitações ao desembargador.

— O Boca de Neblina? Vou não, Angélica. Eu não trouxe o guarda-chuva!

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Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nasceu em Aracati-CE em 30 de novembro de 1946. Terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva, Antero cresceu na Terra dos Bons Ventos, onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta, uma querida amiga da família. Estudou no Grupo Escolar Barão de Aracati até 1957 e, a partir de 1958, no Colégio Marista de Aracati, onde concluiu o Curso Ginasial.
Em 1974, Antero casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e juntos tiveram três filhos: Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira. Graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN em 1976 e desde então tem se destacado em sua carreira profissional.
Antero atuou como presidente do Instituto do Museu Jaguaribano em duas gestões (1976-1979/1982-1985) e foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996), responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.
Além de sua carreira profissional, Antero é conhecido por seus estudos sobre a história e a memória da cidade e do povo aracatiense, amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local desde 1975. Em 2005, sua crônica "O Amor do Palhaço" foi adaptada para o cinema em um curta-metragem (15") com direção de seu filho, Armando Praça Neto.

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)
Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)
Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009)
A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)
Aracati era assim... (2024)
Relíquias de uma campanha (2024)
Aracaty: 1862, cólera-morbo (2025)
Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)
Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

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