Aracati

Monday, 27 April 2026 09:33

CASTORINA PINTO | CARRETEL DE LINHA PRETA

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Menezes Pimentel (Fotomontagem) Menezes Pimentel (Fotomontagem) Fonte: Wikimedia Commons

Nem todos os apelidos que conhecemos são de autoria de Castorina Pinto, como ela mesma costumava dizer: “papagaio come milho, periquito ganha fama”. Podemos citar como exemplo disso o apelido “Carretel de Linha Preta”, que acompanhou por toda a vida o ex‑interventor federal no Ceará (1937–1947), Francisco Menezes Pimentel. Muitos atribuem a autoria dessa alcunha à Mulher dos Apelidos, sem, no entanto, haver constatação verdadeira que assegure a Castorina a criação do cognome “Carretel de Linha Preta”.

Blanchard Girão, importante jornalista cearense, dizia:

Os ‘apelidos’ de Castorina têm o seu valor. São reflexos de uma inteligência superior, de um espírito de fino senso de humor e de extraordinário poder de observação[1].

Numa visita que Menezes Pimentel realizou ao Aracati, nos anos 1940, veio acompanhado do general Mascarenhas de Morais — então comandante da 7ª Região Militar —, do capitão Cordeiro Neto e de outros auxiliares, entre assistentes e o oficial de gabinete. A comitiva foi recebida pelo prefeito Mário Lima, pelo promotor Ubirajara Carneiro e pelas demais autoridades da Terra dos Bons Ventos.

Na ocasião, ofereceu‑se um lauto banquete na residência do Cel. Alexanzito Costa Lima. O serviço à mesa dos ilustres visitantes ficou a cargo de várias senhoritas da elite aracatiense, entre as quais se encontrava Castorina Pinto.

A figura do ex‑interventor não passou despercebida à inquieta e observadora aracatiense. Menezes Pimentel tinha o pescoço atarracado, pele escura — que, à época, era motivo de preconceito racista — e pequena estatura. Era, na verdade, o apelidado “desprovido de beleza”.

Diz o folclore que Castorina, ainda iniciante na arte de apelidar, não quis ser taxativa ao ser indagada quanto às impressões que tivera do ex‑interventor. Pensativa, expressou‑se:

— É, não me sai da cabeça a semelhança desse homem com um “Carretel de Linha Preta”. E não é que ele tem a aparência de um Carretel de Linha Preta!!! Num é não?


[1] GIRÃO, B. Nem todos os apelidos da Castorina, de Aracati, são de sua lavra. Gazeta do Jaguaribe, Aracati,  10 jun 1951, p. 2, 4.

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Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nasceu em Aracati-CE em 30 de novembro de 1946. Terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva, Antero cresceu na Terra dos Bons Ventos, onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta, uma querida amiga da família. Estudou no Grupo Escolar Barão de Aracati até 1957 e, a partir de 1958, no Colégio Marista de Aracati, onde concluiu o Curso Ginasial.
Em 1974, Antero casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e juntos tiveram três filhos: Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira. Graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN em 1976 e desde então tem se destacado em sua carreira profissional.
Antero atuou como presidente do Instituto do Museu Jaguaribano em duas gestões (1976-1979/1982-1985) e foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996), responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.
Além de sua carreira profissional, Antero é conhecido por seus estudos sobre a história e a memória da cidade e do povo aracatiense, amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local desde 1975. Em 2005, sua crônica "O Amor do Palhaço" foi adaptada para o cinema em um curta-metragem (15") com direção de seu filho, Armando Praça Neto.

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)
Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)
Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009)
A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)
Aracati era assim... (2024)
Relíquias de uma campanha (2024)
Aracaty: 1862, cólera-morbo (2025)
Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)
Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

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O Grupo Lua Cheia, com sede na cidade de Aracati-CE, é um coletivo de artistas formado em 1990 com o objetivo de fomentar, divulgar e pesquisar a arte e a cultura.