“A sociedade aracatiense fora sacudida nas suas mais profundas raízes sentimentais, ao assistir pávida de horror à cena de sangue que o acusado fez desenrolar em plena luz meridiana e na mais movimentada praça desta cidade”.
A notícia vem de Belém do Pará: um garoto de 11 anos de idade vingou a morte do pai, na mesma hora em que este morria assassinado, aos 43 anos, com 17 facadas. O garoto, que assistiu ao crime, vendo as vísceras de seu pai expostas, misturadas ao barro da rua, correu para sua casa.
Como fazia aos domingos bem cedo, trajando seu melhor uniforme de chauffeur, José Padilha, conhecido por Yoyô, estacionava o reluzente automóvel Studebaker, de cor preta, conversível, em frente ao imponente sobrado do Cel. Alexanzito Costa Lima, para conduzi-lo juntamente com sua esposa, Dª. Egisa Leite Costa Lima, à tradicional missa das 8 horas da manhã na Igreja do Bonfim, onde se reunia a elite aracatiense para assistir à celebração conduzida pelo vigário Monsenhor Bruno Figueiredo.
Assim como outras localidades do Ceará, a colonização da região onde se situa Aracati se consolidou com a instalação das fazendas de criação de gado. À medida que as fazendas iam sendo criadas, viajantes e andarilhos de todo tipo pediam autorização para trabalhar e fixar moradia. Geralmente o dono da fazenda permitia e, assim, a população ia aumentando. Em pouco tempo, não se tinha mais uma fazenda, mas um povoado.
Havia mais de uma semana que o navio da Cia. Pernambucana de Navegação comandada pelo Capitão José Santos, estava no porto do Aracati recebendo carga para seguir viagem com destino ao sul do País.
A partir de 1748, Aracati passou a possuir uma Câmara Municipal. Só poderiam ter Câmaras Municipais as localidades elevadas à condição de vila.
Na música, Aracati "contou com honrosas realizações".
"Dos últimos anos do século passado para cá, várias agremiações dedicaram-se ao aprimoramento da arte musical, alcançando notoriedade na Zona Jaguaribana e no Estado", são assertivas de um estudioso de sua história Ezequiel Silva de Menezes inseridas na conferência pronunciada no Centro Aracatiense de Fortaleza, em outubro de 1944, publicada em 1946. [...]
A primeira bola de futebol com as características oficiais foi levada para o Aracati no início da década de 1920, pelo médico Dr. Eduardo Alves Dias que, apesar de não jogar futebol, era Presidente da Liga Aracatiense de Desportos.
Eram as bandas de música: Filarmônica Zaranza, Euterpe Operária, Filarmônica Figueiredo, Charanga 24 de Maio. Cada qual mais bem aparelhada, com cerca de 30 figuras! - Valia a pena vê-las nos dias de festas públicas, quando saíam à rua, mesmo que fosse uma só, ou duas delas. Fardados os seus elementos, cada banda com o mestre à frente. Eu gostava daquilo e me entusiasmava.
Somente aqueles que estão chegando aos sessenta anos, no início da terceira idade, como se convencionou chamar o começo da velhice, conheceram a existência na cidade de Aracati dos populares banheiros públicos que aqui funcionaram nas décadas dos anos quarenta e cinquenta.
Em 1972, Raimundo Herculano de Moura escreveu uma de suas mais belas crônicas. A pena do poeta aracatiense deslizou entre a tristeza e a saudade do amigo Chico de Janes que falecia naquele ano.
Os devotos de São Sebastião aguardam no Bonfim. O andor ornado com flores e folhas de laranjeira destaca a figura do soldado convertido em cristão. A rua grande abre caminhos para uma gente que outrora não passaria por ali. Mas o novenário e a procissão dizem que todos são iguais para além de sua aristocracia, quiçá da fé e devoção ao santo mártir.
O Grupo Lua Cheia, com sede na cidade de Aracati-CE, é um coletivo de artistas formado em 1990 com o objetivo de fomentar, divulgar e pesquisar a arte e a cultura.